Esse é o capítulo 9 do livro: "PSICOPATAS: FANTASIA OU REALIDADE: CONHEÇA COMO FUNCIONA A MENTE DOS PSICOPATAS E ESQUIZOFRÊNICOS"
Talvez a superação seja o desespero crucial na vida de uma pessoa quando ela decide transformar sua doença em algo útil, ainda podemos vislumbrar um futuro promissor, mesmo diante de um estado alterado de consciência, onde a fantasia tomou conta de sua vida e fez dela a droga principal da existência. Uma compulsão capaz de investir toda sua energia psíquica com a única finalidade de poder dar conta de seu estado de inconsciência, onde o desejo se sobressai sobre todas as formas disfarçadas de superioridade, onde os delírios de grandeza e perseguição atribuem significado ilustrado no modo de viver a própria loucura, e mesmo nas fugas imaginárias, ainda é possível vislumbrar uma confiança perdida. Mergulhados nas sombras de seus devaneios, aparece um lampejo de consciência das possibilidades de encontrar-se consigo mesmo, e através da loucura imaginária tornar seu potencial de inteligência em algo produtivo. O desespero de não poder atender as cobranças da existência, os projetos megalomaníacos sustentados pelo desejo de grandeza, amplia ainda mais o surto psicótico, uma megalomania que não esconde sua imperfeição ou suas limitações, o estado de culpa e medo aumenta a ansiedade, podendo chegar a viver num completo pânico. Existe uma cobrança interna de superar-se e encontrar uma razão para a sua vida, em conseguir aprovação e reconhecimento das potencialidades, a experiência pessoal retrata seu desejo de superação, enquanto houver consciência para entender as escolhas e fantasias como imagens portadoras da ficção, onde os estereótipos ocupam o lugar da realidade, de suas dificuldades e limitações. O vazio existencial vem do fato de sentir-se inútil pelas cobranças do seu superego, o castigo pessoal do sofrimento, da rejeição e abandono, retrata sua condição de inferioridade, na ilusão sofre a invasão do complexo autônomo, uma pulsão do mundo da fantasia, realidade das imagens. A imaginação pode favorecer na fantasia o espaço para pensar um lugar de destaque e valorização, envolvendo numa atmosfera de extrema importância, isso significa um espaço na fantasia onde possa ser reconhecido. Todo ser humano precisa sentir-se produtivo, os resultados fortalecem sua autoestima, melhoram seu conceito pessoal e sua imagem pessoal, afinal de contas uma das estratégias de receber o amor afetivo é através dos elogios. Ocupar o lugar de destaque na fantasia recria a condição de viver como uma pessoa superior aos demais, e com tal nível de inteligência e capacidade na solução dos problemas pode ascender a um lugar de destaque no meio social, cultural e científico. O que dizer do delírio persecutório? Porque a mente inconsciente precisa dos estereótipos de vigilância e punição? Como livrar-se das fantasias que ocupam o lugar da realidade? O olhar das cobranças, vigilância, dos medos, inibições, ocupa um lugar de destaque em sua vida, apesar de poder usufruir da megalomania, não pode prescindir da existência dos delírios persecutórios das figuras de autoridade. Um conflito que lhe tira a paz e tranquilidade, agora precisa além de investir sua energia psíquica nos delírios de grandeza, necessita encontrar estratégias para fazer frente às ameaças do estereótipo de rispidez, exigência e controle. A fantasia se mistura com a realidade, e o cérebro acaba sendo convencido de que vive, emociona-se e relaciona-se com o mundo das relações virtuais, sem dúvida a mente inconsciente sofre com a dificuldade em abandonar o pretenso prazer de mega sucesso, investido de um poder megalomaníaco desenvolve uma atitude de confiança, de superioridade e de extremo prazer em viver segundo as fantasias, e viver segundo os prazeres das fantasias torna-se um vício. Existe somente realização, competência, inteligência, ignorando toda e qualquer percepção de inferioridade, só assim é possível ser produtivo e ter espaço para a criatividade, onde todas as pessoas e lugares obedecem ao princípio de sua megalomania, aqui torna-se possível experimentar a segurança emocional, a determinação em mostrar toda sua capacidade, sem a interferência do complexo de inferioridade. Tem a necessidade de ser aceito socialmente, o cérebro precisa abastecer-se com os investimentos de admiração, onde seja possível uma relação de igualdade e valorização pela demonstração do seu potencial produtivo e criativo, e descobre através das suas experiências um mundo possível e uma saída para seu dilema esquizofrênico. Talvez uma única experiência possa iluminar a lucidez de suas atitudes, em um mundo onde fosse possível respeitar as diferenças e as contradições, algum lugar é possível perder o medo e aproximar-se da realidade, aos poucos a mente segue obedecendo o fluxo interminável de uma rede associativa de imagens, mas não existe nada mais concreto que as sucessivas tentativas de encontrar a motivação, ou um caminho saudável para viver o amor. A esquizofrenia é a presença de dois mundos, onde a mente inconsciente precisa aprender a dialogar com ambas as exigências, não existe uma confluência lógica no padrão de viver, simplesmente a tempestade de emoções oriundas dos seus exercícios contínuos de aprender a resolver seus dilemas pessoais, profissionais e afetivos. Na verdade, todo investimento de energia é uma tentativa de encontrar um método eficaz para atender as suas demandas pessoais, por isso os prejuízos são enormes quando não consegue distribuir energia psíquica com igualdade. Talvez a mente cumpre com o nobre papel de recriar realidades fictícias numa tentativa de incluir suas intuições sobre as pretensões dos desejos, o diálogo entre as necessidades fundamentais e importantes do ser humano, abre possibilidades para pensar sobre o seu potencial criativo e também dos traumas e bloqueios escondidos nos domínios das emoções. A esquizofrenia realiza o importante papel de pensar através da fantasia, e nas tentativas sucessivas de erros e acertos volta toda atenção para a realidade emocional, emoções carregadas daquilo que é mais nobre na existência humana, a expressão da pulsão de vida ou de morte, e através do impulso vital nasce a necessidade de superação, numa tentativa desesperada de encontrar respostas para seus dilemas. Quando o ser humano se volta para o diálogo do silêncio, permite ao pensamento viajar por lugares nunca antes visitados, enquanto estiver mergulhado nas influências imagógicas. Aprendendo a adquirir por conta própria a confiança necessária para sair do surto psicótico, onde a realidade se mescla com tons de magia e feitiçaria, talvez a resposta sempre existisse onde a mente jamais imaginou visitar, porque sabe da complexidade da inteligência da vida. Os dilemas nascem da necessidade de afirmação, onde a natureza expressa o potencial de curiosidade, das condições para pensar nas possibilidades ilimitadas de resolver um dilema existencial. A ideia de que é necessário pagar um preço muito alto para realizar objetivos surge a partir da obsessão, onde apenas aquele objetivo acaba sendo priorizado em detrimento de outras áreas importantes da existência. Talvez não seja necessário controlar o tempo ou ganhar tempo, mas ser capaz de compreender que a paciência, tolerância, perseverança, poderia fazer da experiência uma conquista saudável sem os enormes prejuízos da compulsão. Os prazos exigem uma dedicação e empenho em algumas tarefas, um comprometimento com a saúde psíquica e orgânica, devido ao nível de exigência descabido e fora do normal, infelizmente muitos pagam um preço muito caro por suas conquistas e acham isso natural, e na compulsão recaem no descontrole e desequilíbrio das funções cognitivas e emocionais. As descobertas precisam de espaço para oxigenação, onde seja possível respirar a liberdade e poder orientar-se de acordo com as suas necessidades mais proeminentes, às vezes a mente fica enfeitiçada com ideologias sectárias e extremistas, por isso no estado de inconsciência é natural o comprometimento da saúde e da felicidade. É muito estranho viver num completo isolamento, talvez alguns sonhos não sejam nada além de uma fuga da realidade, porque onde encontram-se os traumas e medos, é natural enfatizar com desculpas e justificativas o seu completo afastamento. Todas as decisões estão sendo induzidas pelas expressões das emoções de inferioridade, enquanto prevalecer a imagem distorcida de si mesmo sempre acontecerá o inevitável: solidão e isolamento. Porque as “fixações” produzem as deduções alucinantes, onde assume aquela condição de vida, onde investe todos os seus recursos para consolidar verdades as neuróticas absolutas, e com o tempo podem se tornar psicóticas ou esquizofrênicas. Então, a neurose cumpre com o seu papel sedutor de convencer a consciência a continuar na mesma condição de vida, distorcendo e fazendo acreditar em um determinado modo de vida, uma interpretação com distorção dos fatos e de sua realidade pessoal. Quando a solidão e o isolamento seria uma vantagem? De que maneira a neurose poderia convencer a pessoa a acreditar em suas distorções da realidade? Enfim, seriam muitas as questões em debate para entender a complexa rede de manipulação de um mundo fantástico de estereótipos, pois eles procuram de qualquer maneira estigmatizar e convencer sua vítima da ilusão. Os recursos da alucinação procedem do grau de astúcia e inteligência em ocupar o lugar de destaque e importância na vida das pessoas, sua influência é enorme, pois suas explicações convencem e conseguem fazê-lo acreditar em suas verdades, e talvez porque as alucinações ofereçam a realização e a satisfação de seus pontos fracos. A alucinação consegue ajudá-lo a fazer a experiência num mundo fantástico de ilusões, onde as emoções e projeções podem ser vividas como se fossem reais. Determinadas “fantasias” ocupam o lugar de destaque nas “alucinações”, e incorporam um estereótipo de grandeza, poder, inteligência, com tais qualidades conseguem ocupar o lugar de destaque em sua vida, proporcionado a experiência de mania de grandeza, poder e glória, onde o estado de alienação exerce o controle sobre a mente inconsciente. Apesar dos diálogos e embates dialéticos proporcionados pelas alucinações, elas sempre acabam prevalecendo a falsidade de suas deduções e interpretações. Com o olhar atento a inferioridade não consegue afastar-se ou ao menos distanciar-se, devido ao contágio alucinante da droga conhecida como vaidade, existe sim um privilégio em especial de poder ocupar o lugar de destaque, de liderança, na experiência da fantasia seu corpo vive a experiência como se fosse uma verdade, por isso parece tão real, e por várias vezes a fantasia se confunde com a realidade. Como o estereótipo da “anunciação” conhece a necessidade da inferioridade, precisa torna-se uma presa fácil para atender as demandas de afirmação e realização, infelizmente os convites são aceitos, e depois de estabelecer as regras e o lugar que cada uma ocupa na sua vida, as imagogias fantásticas tornam-se realidades virtuais, e cumprem papel importante na solução da inferioridade. Existe de fato um pacto entre as alucinações, e aquela parte da consciência que faz questão de conviver com o mundo fantástico de ilusões propiciado pelas suas alucinações. Quanto maior for a inferioridade, na mesma proporção será a incidência das alucinações, elas não medem esforços para descrever o mundo fantástico de mentira e alienação, pois a intimidade torna-se aos poucos uma grande amizade, e aos poucos se tornam atores coadjuvantes em sua vida. O limite das atrocidades humanas é a imaginação. Na alucinação existe uma prospecção de valorização e reconhecimento, onde a mente é convidada a tornar-se submissa e obedecer aos desejos das “imagens”, porém o esforço se esgota no momento em que não é mais possível conviver com as exigências enlouquecidas da compulsão. Um instante onde confunde o seu papel de pessoa com aquele ocupado no imaginário de suas fantasias, e sem dúvida defende e acredita no papel desempenhado por cada alucinação, por isso não existe um meio de conciliar suas fantasias com a realidade, porque em seu delírio persecutório quem se aproxima pode ser o seu inimigo. As alucinações por algum momento se afastam, mas em seguida se aproximam e exigem a continuidade dos pactos de megalomania. O surto acontece quando a mente inconsciente se encontra totalmente absorvida e envolvida nas figuras que representam seus afetos, desafetos, amores e horrores, momento onde impera a presença total da imaginação a serviço da megalomania. A confusão da mente acontece quando a “persona” assume o papel como se fosse real, e por isso instala-se uma dicotomia, uma separação, uma divisão aparece com extrema nitidez entre aquilo que todos conhecem e naquilo que ele diz ser. Quando acontece o ataque emocional de fúria, raiva, ódio, violência, podemos observar o domínio total da presença do complexo autônomo, onde a persona aparece com todas as suas sombras, representando uma realidade fantástica e virtual, um relacionamento que compromete sua saúde mental e psíquica, não resta alternativa a não ser as camisas de forças utilizadas na psiquiatria, como o único modo de paralisar o surto, precisa diminuir o estado de ansiedade e sedar sua consciência. Os medicamentos em alguns casos podem trazê-lo para a realidade e retirá-lo do surto esquizofrênico, as pessoas que convivem com a doença também estão sendo atingidas, e são codependentes dos delírios persecutórios e da mania de grandeza. Muitos acabam acreditando e vivendo segundo as histórias convincentes, mas não reais, existe uma invasão total das fantasias tornando-se realidade, diante dos fatos concretos e óbvios, não pode voltar atrás, questionar ou levantar dúvidas sobre as suas alucinações, porque seria aceitar a loucura. Agora assume o compromisso de verificar e tentar enxergar os fatos, onde não existe a averiguação aumenta ainda mais a confusão mental, esgotado e confuso não resta alternativa a não ser o suicídio. A mente está completamente envolvida pelas histórias, elas parecem num primeiro momento muito convincentes pelo lugar ocupado na vida da pessoa, de fato são apenas figuras ilustrativas de seu devaneio. Envolvido na semântica de diálogos, onde seus fantasmas sempre aparecem para produzir mais confusão, uma ficção muito bem elaborada, com a finalidade de produzir um impacto sobre a mente, um mundo de fantasia com contornos de realidade, onde cada personagem desencadeia na alucinação o papel fascinante de “persona”, um estereótipo com vida própria, e está na defesa intransigente de permanecer a qualquer custo na vida da pessoa. Mas existe alguma doença que o amor não cure? Qual é o poder miraculoso dos afetos do amor? Viver conforme o vínculo do amor desperta o interesse pela vida? Como o amor pode reforçar a autoestima e diminuir o impacto do complexo de inferioridade? Que droga o amor possui para deixar as pessoas apaixonadas e felizes? Os apegos do amor podem desencadear um cuidado por si mesmo? Uma enormidade de questões que poderíamos refletir, inclusive sobre o valor e a importância da experiência mágica do amor, existe uma necessidade urgente e necessária de sentir-se amado. Mas porque muitos fogem do amor? O amor pode representar a valorização, os afetos, o respeito e consideração, os olhares de admiração reforçam a presença da aceitação incondicional, e não existe nada mais importante na vida, que uma pessoa passar pela experiência de não se sentir sozinho e isolado. Um estado de bem aventurança amplia e reforça a confiança em si mesmo, enaltece a sua condição humana e atende as carências afetivas, o efeito curativo do amor nasce da vivência oportuna e útil, em apreciar e valorizar os afetos de reconhecimento. Em instantes mágicos aprecia o valor do gesto autêntico, saber apreciar e valorizar as qualidades humanas, uma indescritível sensação de bem estar, a segurança emocional proporcionada pelo amor, ele reacende o desejo de viver. O único modo de resolver as questões afetivas passa pela experiência verdadeira de amor, ele ocupa o espaço de confiança, ternura, bondade, compaixão, alteridade, qualidades humanas que curam o espírito. Talvez seja o único modo de revigorar o desejo de amar, ao vivenciar a emoção do amor traz à consciência uma segurança, um desejo imenso de lutar pela sobrevivência. A expressão do amor reacende sempre a desconfiança de ser amado, e cada qual deverá cumprir seu papel de coadjuvante na procura interminável de alguém para amá-lo. O amor encontra-se perdido e ao mesmo tempo procurando o seu lugar no espírito humano, nas interações de forças vitais encontra-se o esforço dinâmico de jamais ceder ou desistir de encontrar o grande amor, desejo de duas almas procurando um espaço para viver a liberdade dos afetos. O amor vibra por todos os órgãos do corpo e enaltece aquilo de mais sagrado na vida humana, o olhar de admiração, apreço, uma energia emocional com poder de provocar o entusiasmo pela vida. O amor ocupa o espaço afetivo e favorece a relação de intimidade, de carinho e aprendizado, onde duas almas procuram satisfazer e atender as suas demandas psíquicas e existenciais. A doença nos passa a ideia de inconformismo, de não aceitação, uma espécie de reclamação visível no corpo, na vida, nas atitudes, nas distorções da realidade, em todas as manifestações encontra-se uma rebeldia procurando seu devido lugar na expressão dos amores e afetos, são desejos permeados de conquista equilibrada, felicidade, de autorrealização, em todas as instâncias aparece sempre a necessidade de encontrar-se através do amor, aqui podemos constatar a possibilidade de confirmar o seu próprio valor através do olhar amoroso expressivo. O amor é uma energia mutante e transforma vidas, cura espíritos, traz a saúde, reacende o desejo de viver, talvez por isso seja uma emoção de destaque na vida de qualquer pessoa, amores híbridos, transformados pela condição humana, insistem cada vez mais na expressão de atender ao desejo de amar e ser amado. O amor é a única segurança possível capaz de atender as maluquices das fantasias e dos destemperos do ciúme e inveja. O amor inspira no desejo a admiração, nos gestos sublimes de apreço. O único modo de curar a esquizofrenia é aproximar-se da realidade e nas interações de afeto e diálogo, proporcionar a experiência de perder o medo de amar. Esta emoção é a presença de humanidade, oportunizando uma aproximação dos afetos em detrimento ao racional, lógico, onde o discurso ocupa o lugar da expressão. As fantasias conseguem convencer a afastar-se de todo contato e aproximação humana, somente novas experiências e muito esforço poderia devolver a coragem para voltar a vincular-se e experimentar a sensação agradável do prazer sensual, de aprender a conviver com sua humanidade. A retomada da realidade impõe o gesto humano de aproximação, no esforço de conviver com a humanidade, aprender a equalizar uma aproximação com o humano, onde as incertezas e probabilidades sempre se fazem presentes, sair da condição de superioridade e sujeitar-se a conviver com as limitações de uma inferioridade, que insiste em diminuir e desprestigiar suas conquistas. Mas são duas realidades interpostas de comum acordo, procurando atender aos desejos inconscientes da afirmação do amor, por um lado uma mente que procura na fantasia preencher as lacunas de suas carências, e por outro os caminhos tortuosos da incerteza das relações humanas. Implicados no desejo de aprender sobre o amor e suas infinitas possibilidades de aceitação e superação, saindo da condição de uma mente viciada num mundo de mentiras. Aprende sobre as extensões do amor aos filhos, aos pais, ao trabalho, porém o desligamento da realidade e o afastamento para o mundo de fantasia, pode incorrer em sério risco de esquecer-se dos que precisam de sua presença. No estado de impotência e confusão mental precisa fugir e esconder-se de qualquer aproximação humana, e através dos delírios e alucinações amplia ainda mais seu nível de estresse e ansiedade, por isso busca refúgio nas histórias distorcidas da sua vida, e nas imersões desloca seu ser numa busca frenética e incansável de aproximar-se daquilo que poderia chamar de real, sua mente não consegue mais fazer a separação, deslocou para um mundo de ficção aquilo que não poderia mais ser aceito como real. Ao finalizarmos as reflexões sobre a relação simbiótica entre a mente humana e as fantasias, evidenciamos que muitas vezes nos distanciamos ainda mais dos princípios que poderiam alertar sobre os dilemas das frustações e do poder curador do amor. Mesmo diante das mais estranhas dificuldades o maior dos desafios é estar ciente ou consciente das próprias limitações, e aprender a surpreender as próprias fantasias. Somente o tempo e no decorrer de sua história poderá valorizar e reconhecer a produtividade, esta é uma luta inigualável e persistente em jamais abandonar seus sonhos mesmo diante das debilidades de uma mente enfraquecida pelas fantasias, e esquizofrenia. Talvez somente o caminho tortuoso e doloroso do sofrimento possa ensinar o valor precioso da consciência, sob as duras penas do abandono, e depois como num passe de mágica podemos entender os novos pactos entre realidade e fantasia, com consciência pode fazer o exercício mental de não se deixar seduzir ou convencer pelos interesses escusos das fantasias. Na loucura precisa aprender a diferenciar o real da fantasia, não pode mais apenas fazer-se de vítima quando pode ser o agente de suas próprias decisões, infelizmente o silêncio pode ser traduzido nas elucubrações de imagens que persistem em aparecer e serem reconhecidas. Então a sanidade é aquilo que resta entre as instâncias por onde viajam as imagens, e com o tempo podem ser reduzidas ao mundo fantástico do imaginário. Aprender a desconfiar do poder ilusório das fantasias e, entender que precisa delas nos momentos de seus devaneios ou crises existenciais, mas na maior parte do tempo pode mantê-las bastante longe de sua vida. Não temos como prever o que poderá acontecer, e às vezes somos surpreendidos pelos benefícios de uma teimosia de amor, e justamente as conquistas conseguem fazer dos esforços e dedicação a causa maior daquilo que nos impele a jamais desistir de nossos sonhos. Os caminhos da conquista são imprevisíveis e cheios de incerteza, jamais poderíamos prever aquilo que a existência já tinha preparado antes mesmo de possuirmos consciência, são justamente as surpresas que fazem da existência um espaço de tempo precioso, para cada ser humano realizar sua experiência independente de sua doença. Enquanto existe vida podemos contar com a consciência de compreender na singeleza de cada encontro com “insights” importantes e decisivos, onde a lógica racional desaparece para dar lugar aos afetos, as dimensões da paciência e tolerância daquilo que não podemos resolver. Existe uma enorme possibilidade de aprender a conviver com as incertezas no mar quântico de probabilidades, nem mesmo as doenças mais graves podem retirar do homem sua esperança de realizar seus sonhos. Eis aqui o valor de uma consciência humanizada que aprendeu a insistir sempre, em escolher o caminho da superação, onde cada adversidade pode tornar-se uma âncora. Saber sobre si mesmo e reconhecer suas limitações, mas jamais abrir mão do encontro infalível com os benefícios do amor, vivências permeadas de alegrias capazes de reacender o desejo de ser amado e ser capaz de amar, mesmo depois de toda uma existência em busca desse tesouro perdido, escondido na essência do seu inconsciente. Um legado de aprendizado emocional onde é possível estabelecer novas regras de convivência com as fantasias e investir a energia psíquica naquilo que é mais nobre e maravilhoso na existência, seu desejo inabalável de ser reconhecido e valorizado. Então, valeu a pensa existir, não interessam os dilemas, interessa saber sobre seu interesse em defender a vida, e amá-la acima de todos os pretextos que insistem no contrário.
Bibliografia
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