Estes são os capítulos 9 e 10 do livro: "Psicopatas: O Espectro do Mal"
9. O Asperger
(AS) A Síndrome de Asperger (AS) é um Transtorno de Desenvolvimento do Espectro Autista (ASD). Algumas hipóteses sugerem que a diferença entre Asperger e autismo clássico pode ser tanto de ordem quantitativa quanto qualitativa. Indivíduos com Asperger tendem a ter padrões distintos de déficit social, mas bem menos severos que nas outras formas de autismo. Ainda assim, apresentam grande dificuldade no que diz respeito à reciprocidade social e emocional. Sua abordagem social é significativamente anormal, tem dificuldade para manter uma conversação, disposição reduzida para compartilhar interesses, emoções e afeto, além de dificuldade para iniciar ou responder a interações sociais. Além disso, sua vida social é prejudicada por déficits na comunicação verbal e não verbal, as quais são basicamente deficientes e mal integradas. Sua forma de se comunicar pode ser considerada pedante, monofônica, com entonação de voz exagerada. Isso, adicionado a ecolalia ou frases idiossincráticas, anomalias no contato visual, dificuldade para entender gestos, e falta de expressão facial fazem com que a interação com eles seja um tanto complicada. Normalmente não apresentam problemas significativos na capacidade de aprendizado. Mas na linguagem é possível observar padrões que de certa forma lembram a esquizofrenia. A ambos falta capacidade simbólica e dificuldade para compartilhar conceitos abstratos. Por isso, desenvolver e manter relacionamentos é para eles um grande desafio. A dificuldade para ajustar seu comportamento aos vários contextos sociais, adicionada à falta de interesse nos outros, faz com que seja difícil para eles fazerem amigos. Costumam se fixar excessivamente em alguns interesses e ter comportamentos e movimentos repetitivos. O alinhamento de brinquedos também faz parte do quadro. Sua fixação em interesses altamente restritos, anormal em intensidade e foco, faz com que desenvolvam forte preocupação e apego a objetos não usuais. Uma outra característica importante dos Aspergers é a repetição e a aderência inflexível a rotinas e padrões ritualizados verbais e não-verbais. Seguem rituais ao cumprimentar, gostam de pegar o mesmo caminho e de comer as mesmas comidas todos os dias. Sentem extremo desconforto com pequenas mudanças. Essa dificuldade com transições tem como causa padrões rígidos de pensamento. Costumam ter hiper ou hipo-reatividade a estímulos sensoriais, além de interesses inusitados em aspectos do ambiente. Sua aparente indiferença à dor e à temperatura, sua resposta adversa a sons e texturas específicas, sua fascinação com luzes, movimento, e o cheiro e o toque em excesso de objetos os tornam bastante excêntricos. Há na base desta patologia uma desconexão entre empatia cognitiva (pensamento) e empatia emocional (sentimento). Segundo Simon Baron-Cohen, de Cambridge, a causa estaria no mal funcionamento dos circuitos de empatia do cérebro. Seus mecanismos neurológicos limitados o impedem de empatizar com Neurotípicos (NT).
Principais características do Autismo (ICD-10)
Relacionamentos num nível inapropriado para a idade, normas sociais e expectativas culturais
Baixo autoconhecimento, pouca habilidade para sentir remorso, aprender com os erros
Baixa empatia ou apreciação pelos sentimentos dos outros
Baixa reciprocidade emocional
Dependência hostil de relacionamentos estáveis
Tendência a tratar pessoas como objetos ou mesmo preferi-los
Esse distúrbio de desenvolvimento foi inicialmente batizado de Psicopatia Autista. Não por acaso, ele costuma ser erroneamente diagnosticado como Psicopatia. Isso se deve ao fato de que, pelo menos na superfície, ambos têm algumas similaridades. Uma maneira simples de diferenciá-los é observando os pontos nos quais são o exato oposto um do outro. Enquanto o Asperger é pouco sociável e extremamente autêntico, o Psicopata costuma ser popular e bastante dissimulado. Mas, principalmente, é preciso reconhecer que apesar de não ser capaz de sentir empatia o Asperger, ao contrário do Psicopata, tem boas intenções. A ausência de empatia, em geral, não o impede de sentir carinho pelo outro. Uma importante diferença entre os Aspergers e as patologias do Cluster B é a ausência de ‘ego’, no sentido popular da palavra. Além disso, parecem ter sólidos princípios éticos e morais, os quais por vezes chegam até a ser um tanto rígidos e inflexíveis demais. Uma análise dos estudos publicados entre 2000 e 2011 sobre comorbidade psiquiátrica nos Aspergers encontrou uma prevalência significativa de Depressão, Bipolaridade, Ansiedade, Distúrbio Obsessivo-Compulsivo, Hiperatividade e Déficit de Atenção. Nesse estudo, entretanto, não foi encontrada qualquer comorbidade envolvendo os Distúrbios de Personalidade do Cluster B. Ou seja, apesar das similaridades, o Asperger não faz definitivamente parte da mesma família de distúrbios. A definição do Espectro Autista (Asperger) no DSM não inclui nem o conceito de esfera de personalidade, nem o de traços de personalidade patológicos.
10. O Narcisista (NPD)
O Narcisismo já foi chamado de “a última parada de trem antes do espectro autista” (Susan Heitler, Ph.D., Harvard). De fato, ele guarda uma certa semelhança com o Asperger. Seu senso de identidade com referência excessiva nos outros, tanto para se definir, quanto para regular sua autoestima, distorce sua capacidade de se autoavaliar. O Narcisista se avalia de forma exagerada, ora inflada, ora diminuída, vacilando entre esses dois extremos. Sua regulação emocional, de um modo geral, reflete essas flutuações na autoestima. Estabelece objetivos tendo por base a necessidade de ganhar a aprovação. Seus padrões pessoais são geralmente irrealisticamente altos, para se sentir excepcional, ou baixos demais, por achar que não precisa se provar, o que demonstra um senso de merecimento elevado. Com frequência não tem consciência sobre suas próprias motivações. A dificuldade que tem para sentir empatia faz com que seja incapaz de reconhecer e se identificar com os sentimentos e as necessidades dos outros. Parece excessivamente preocupado com as reações das pessoas, mas isso apenas no que considera relevante para si. Em geral tende a super ou subestimar seu impacto sobre os ambientes e as pessoas. Na intimidade, seus relacionamentos são altamente superficiais. Existem apenas para regular sua frágil autoestima. O compartilhamento de experiências é limitado pelo pouco interesse genuíno que tem pelos outros. Nas relações interpessoais predomina a necessidade de ganho pessoal visto que é, antes de mais nada, um explorador. Está sempre em busca de oportunidades para tirar vantagem e assim conseguir atingir seus fins. Frequentemente sente inveja ou acredita que os outros o invejem. No que tange ao comportamento explorador, o Narcisista parece ser uma versão mais branda do Borderline e do Anti-Social. Poderia também ser definido como um Histriônico menos hostil e mais autoconfiante. Uma das disfunções mais comuns entre altos executivos e políticos, o Narcisista busca o poder a qualquer custo. Normalmente charmoso e sedutor, ele parece confiante, amável e fácil de lidar. Mas se olharmos mais atentamente vamos encontrar um rastro de exploração e de falta de reciprocidade ao longo de sua trajetória de vida e de carreira. Suas decisões tendem a ser impulsivas e ter como foco o auto engrandecimento. Os Narcisistas dividem o mundo entre os que estão a seu favor e os que estão contra, ou seja, vilões.
Apesar de sua grandiosidade, no fundo é extremamente vulnerável. Sua esfera de personalidade característica é o:
Antagonismo (falta de empatia)
Seus principais traços de personalidade patológicos são:
Grandiosidade
Busca de atenção
Esses traços se manifestam no Narcisista na forma de sentimento de merecimento, expectativas não razoáveis de tratamento especial e exigência de cumprimento automático de seus desejos. Estão presentes também egocentrismo e desprezo pelas pessoas. Seus comportamentos e atitudes tendem a ser arrogantes e superiores pois no fundo acredita piamente ser melhor do que os outros. Com um senso grandioso de auto importância, tende a exagerar feitos e talentos. Espera ser reconhecido como superior sem conquistas à altura. Tem fantasias de sucesso, poder, brilhantismo, beleza e amor ideal ilimitados. Acredita piamente que é especial e único e que só pode, portanto, ser compreendido ou se relacionar com pessoas ou instituições especiais ou de status elevado. Seu esforço excessivo para ser admirado, atrair e ser o foco das atenções faz com que seja percebido como alguém que exige admiração excessiva. O NPD é mais frequente entre os homens.